O pé d’água que encharcou a cidade durante o último sábado (17) não deu trégua até o início da noite, quando achamos que já era tranquilo sair de casa sem precisar carregar um bote. Nosso destino, mais uma vez, era encontrar o melhor que São Paulo tinha a oferecer em termos de ritmos jamaicanos. Logo que nos encontramos, a influência da última Jamboree era clara: estávamos ambas de camisa, peça de roupa que se provou predominante entre a galera que curte os sons da ilha caribenha.
O veterano Hangar 110 abriu suas portas às 19h para a 1a edição do Ska Stomper Fest, festival que nasce com a proposta de combinar ska, rocksteady e sons brasileiros. Chegamos lá pelas 20h30 e novamente tivemos aquela sensação de 'festinha na casa do amigo': os comentários do nosso já querido Jurássico se faziam ouvir do lado de fora, sinal de que o Jurassic Sound System comandava a mesa de som.
Ah, sim, uma breve pausa: ficamos super felizes quando vimos que os meninos do Y&M reproduziram a resenha que fizemos da 10a Jamboree no blog deles e nos contataram para agradecer. ;)
Depois das formalidades virtuais, fomos bater um papo ao vivo. Greg e Jura (olha a intimidade) eram os únicos do grupo por lá. Não dispensaram gentilezas e se mostraram solícitos com o nosso trabalho, o que só confirmou o acerto na escolha do tema do TCC.
Talvez por ser a primeira edição do festival o número do público presente ainda era tímido, em todos os sentidos. A maioria do pessoal no máximo chacoalhava a cabeça ao som das músicas, o que Jurássico nos definiu como sendo um processo de 'meditação'. Nos sentimos um tanto incomodadas, mas o que algumas doses de álcool não fazem pra que você dance sem se importar com o resto da galera, né?
O festival continuou com o show da banda King Rassan Orchestra. Instrumental, o conjunto não conseguiu empolgar muito o público, que continuou meditando profundamente. Nos telões da casa, imagens de filmes antigos e documentários sobre as origens da música jamaicana esclareciam os mais perdidos no assunto (e também colaboravam para a distração do pessoal com relação ao show).
As cortinas se fecharam e o silêncio imperou entre a diminuta plateia. No escurinho do Hangar, a agulha voltou a tocar em um dos discos do acervo do Jurassic Sound System. [Nathalie humildemente agradece a reprodução de uma - ou seriam duas? - músicas do cantor jamaicano Desmond Dekker.]
Outra levada de early reggae se iniciou, dessa vez comandada pela dupla Masta Blasta Hi-Powa, formada por Thiago DJ e Rev. Denis. No set list, versões em inglês de Llorande se fue, que por aqui também teve sua versão na fatídica lambada dos anos 1990 (confesse que você dançou!) e o clássico Trem das Onze, dos Demônios da Garoa. Mais elementos para a mistureba Brasil-Jamaica.
A última atração era com certeza a mais esperada. De repente, o palco parecia pequeno para acomodar a galera da Extra Stout, que animou o público logo na primeira canção. Pedindo cerveja em vários idiomas, foram prontamente atendidos: várias latinhas foram lançadas na direção dos membros da banda, sem dó nem piedade. Eles cantaram, brincaram, xingaram e conquistaram mais duas fãs com letras irreverentes e, principalmente, com a versão de Kung Fu Fighting, do cantor jamaicano Carl Douglas, o ponto alto da noite. Dançamos, nos descabelamos e cantamos (mal, mas tá valendo).
Depois do show, o samba rock tomou conta da casa. Pelo que percebemos, esse é o código para “vão embora daqui logo”. Ok, não precisa colocar a vassoura atrás da porta, recado entendido.
Numa noite estranha sem meia-noite, dividimos espaço com gente de vários estilos, que só visava curtir um som bacana e dançar sem maiores preocupações. Assim é São Paulo, nossa Jamaica Paulistana.
